O que faz um PM



Ao conhecer pessoas no mundo virtual, quando digo qual é a minha profissão, é muito comum vir uma série de perguntas a respeito. Fato que nunca me incomodou, muito pelo contrário, sinto-me lisonjeado por poder explicar um pouco do que faço, levando-se em conta de que boa parte da população não sabe ou tem uma visão deturpada da profissão.

Necessário se torna que eu fale um pouco sobre meu pai. O guerreiro também é PM, reformado por motivos de saúde. Ama a gloriosa (apelido dado a Polícia Militar) do fundo do coração. Neste momento você pode até concluir: - Ah está no sangue. Eu retruco: Não é apenas isso. Meu grande pai, mesmo amando esta instituição, sempre deixou claro para mim que, como qualquer outra profissão, tem os pontos positivos e negativos. Meus pais sempre me deixaram livre escolha do meu futuro e me apoiaram qualquer que fosse minha decisão neste sentido. Só que desde moleque eu quis ser policial.

Antes de conseguir passar no concurso procurei me preparar, pois foi-se o tempo em que a polícia “pegava no laço”. Passei no concurso, fizemos um curso de quase dez meses como alunos soldados. Aprendendo postura e compostura, hierarquia e disciplina, muitas matérias de direito e várias outras matérias relacionadas. Formamo-nos e fomos designados da unidade escola para as unidades operacionais. Assim colocamos em prática o que foi aprendido. E logicamente, aprendemos com os militares mais antigos e continuo aprendendo até hoje.

Normalmente trabalho por escala. 12x36, por exemplo: Trabalho por 12 horas e descanso por 36. 24x48, 6x18 e assim por diante. Há também a escala do expediente, que, na verdade, é o horário comercial. Há várias frentes de serviço, mas vou focar somente do serviço convencional. Normalmente fazemos patrulhamento e abordagens (quando há comportamento suspeito de alguém) na área da viatura onde trabalhamos. E aqui faço um adendo: Nas abordagens em sua imensa maioria abordamos pessoas de bem, que quase nunca tiveram envolvimento negativo com a justiça. Mas como o infrator da lei não carrega uma estrela na testa, só diferenciamos o cidadão de bem do infrator no decorrer da abordagem. Por isso temos técnicas de abordagem, sendo que no início da mesma não fazemos idéia de quem é que está sendo abordado. Técnica tal aprovada pelo conselho dos direitos humanos. E que infelizmente a população não vê dessa forma e acha que o policial ao abordar está agredindo.

No decorrer do serviço fazemos também o atendimento de ocorrências. Ao chegar ao local, atendemos conforme a natureza desta nos pede. Ouvimos as partes e orientamos conforme o caso. Ao constatar que houve crime conduzimos as partes envolvidas a delegacia da área, ou, no caso de especializada, conduzimos também até a especializada. No caso do autor ele é conduzido voluntário ou coercitivamente.

Às vezes passamos por situações engraçadas, às vezes passamos por stress. Na verdade acontece quase de tudo, mas essas são histórias que contarei no decorrer deste blog. Por enquanto vou fechando por aqui com essa breve descrição do serviço policial

Link da Gloriosa aqui

1 comentários:

zaqueu disse...

Fiquei muito orgulhoso do que você escreveu a respeito de seu pai, e se alguem me considera um heroi, só consegui isto por tenho uma esposa maravilhosa e os filhos que Deus me deu sem que eu merecesse: eles sim são as joias mais raras do mundo, e Deus foi tão bom que ainda me deu uma nora e uma neta que vieram completar a minha vida.O que fui e o que sou agradeço a voces a Deus e a meus pais......E a PMGO